sábado, janeiro 07, 2006

AINDA BEM QUE AINDA HÁ TEMPO

Roda o tempo
Sopra o vento
Contra ou a favor
Correm horas
A passos lentos
Voz alta canto
Em teu louvor
Que me sobre ao menos
Alguns minutos
Para um sonho e tanto
Cheio de amor
Meu peito inflama
De vontade insana
De correr pra onde
Meu outro for
Doida dor
Doída dor
A de amor
O rodar do tempo
O soprar do vento
Ora contra
Ora a favor
Loucos ponteiros
Indicando o tempo
Que há de seguir
Se parar não for
E na hora inteira
Ouço dobrões
De outros tempos
Outros verões
Roda o tempo
Sopra o vento
A areia em mim
Doida dor
Doída dor
Que vem com o tempo
E fica em mim!

Sem data

CAMPINAS RENASCE

Campinas explode cidade
Rompe barreiras em avenidas
Esquece o esgoto fora de galerias
E pune o veloz, eletronicamente, radar!

Campinas salta aos olhos, vermelhos
De sol se por, de sangue ferida de dor
Esquina por esquina, drops, drops, balas e balas
Esquina escura, esquina clara e cara.
Carro de rico, vem carro de pobre já pára
É medo do guarda e do outro que
Em arremedo dispara e cala.

Cala Campinas nos brancos das vestes
Doce Campinas de outrora rupestre
Chora Campinas suas lágrimas de breu
Clareia sua noite com chamas de velas

Campinas abate a alegria de outrora
Inerte em tristeza, em dor do corpo que rola
Desce ladeira, ex-córrego Orozimbo
Agora em pontes seus filhos abriga

Vai que vai Campinas altaneira
Violenta, sonhadora, traiçoeira
Foi que foi a Campinas de antão
Do Ford Bigode, moleque descalço na estação
Trem de ferro
Tem o ferro
Olha o berro
E morte de montão.

2001