quinta-feira, maio 17, 2007

JÁ FUI E BASTA

E o mundo já nem me diz
absolutamente nada.
Sou e hei de ser apenas o que já fui.
E basta.
Ser dono do meu nariz
Viver como aprendiz
me fazer pela raiz
e dizer que sou
e hei de ser apenas o que já fui.
E basta.
Ostento-me em um nome
carregado em corpo de homem
que as agruras do tempo consomem
até que inerte me torne
para dizer que sou
e hei de ser apenas o que já fui.
E basta.

FANTASIAS

Eu rasguei todas as minhas fantasias
esvaziei o sótão do inferno meu.
Hoje choro a falta de alegria
que um dia
invadiu este corpo meu.
Agora gozo o gozo da agonia
pela falta daquelas fantasias
que comia
aos poucos este corpo meu.
Ah, linda criança, doce esperança
que não volta mais.
Ah, quanta alegria, doce magia
a lembrança trás.
Sonhei que eu seria dono
um dia
do sorriso teu.
Mas vi que eram apenas aquelas fantasias
que rasguei
um dia
quando esvaziei o sótão do inferno meu.

CINZAS

Quando morreu eu for
não esqueça de fazer cumprir meu sonho.
Quero ver minha cinzas
sobre esta casa,
sobre um pedaço das Minas Gerais,
sobre ondas santistas
e nada mais!
Obrigado.