"Sei que foi um presente da vovó. Não sei direito se ganhei no Natal ou aniversário ou na Páscoa. Eu era bem pequeno ainda e fiquei muito contente com o presente.
No começo até que usei como mochila. O urso cinza e de patas brancas e o nariz preto feito de um material que mais parecia pixe. As patas, dianteiras e traseiras ficavam atadas por tiras de nylon reguladas por fivelas permitindo que fosse carregado às costas.
Por várias vezes o levei assim a casa de amiguinhos. Cheio de bugigangas ele ia preso nas minhas costas. Por várias vezes também mamãe o pendurou no varal, secando com as roupas depois de ter passado por uma boa lavagem na máquina de lavar roupas.
Mas aos poucos ele foi ficando mais e mais meu amigo. Eu o queria cada vez mais perto de mim e ele acabou indo parar na minha cama. Virou meu companheiro de noites e mais noites. Seu pelo foi perdendo o brilho. O zíper do bojo da mochila jamais se abriu e seu nariz, bem o nariz...
Aquela bolinha de pixe era minha diferença. Antes de dormir eu ficava horas e horas burilando aquele nariz entre os dedos. Os fios que o prendiam se soltaram várias vezes obrigando mamãe costurá-lo na base da agulha. Nada importava. Eu queria te-lo junto comigo, engruvinhado em meu pescoço, aquecendo meu peito, ativando meus dedos.
Um dia, sem que eu soubesse, meu pai, para evitar o inevitável - pois um dia o panda acabaria mesmo - resolveu escrever esta história. De real a imaginável meu pai o fez durar para sempre para que eu não esqueça jamais meu urso panda, mochila de pelúcia".
sábado, novembro 12, 2005
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