sábado, novembro 12, 2005

UM URSO PANDA, MOCHILA DE PELÚCIA

"Sei que foi um presente da vovó. Não sei direito se ganhei no Natal ou aniversário ou na Páscoa. Eu era bem pequeno ainda e fiquei muito contente com o presente.
No começo até que usei como mochila. O urso cinza e de patas brancas e o nariz preto feito de um material que mais parecia pixe. As patas, dianteiras e traseiras ficavam atadas por tiras de nylon reguladas por fivelas permitindo que fosse carregado às costas.
Por várias vezes o levei assim a casa de amiguinhos. Cheio de bugigangas ele ia preso nas minhas costas. Por várias vezes também mamãe o pendurou no varal, secando com as roupas depois de ter passado por uma boa lavagem na máquina de lavar roupas.
Mas aos poucos ele foi ficando mais e mais meu amigo. Eu o queria cada vez mais perto de mim e ele acabou indo parar na minha cama. Virou meu companheiro de noites e mais noites. Seu pelo foi perdendo o brilho. O zíper do bojo da mochila jamais se abriu e seu nariz, bem o nariz...
Aquela bolinha de pixe era minha diferença. Antes de dormir eu ficava horas e horas burilando aquele nariz entre os dedos. Os fios que o prendiam se soltaram várias vezes obrigando mamãe costurá-lo na base da agulha. Nada importava. Eu queria te-lo junto comigo, engruvinhado em meu pescoço, aquecendo meu peito, ativando meus dedos.
Um dia, sem que eu soubesse, meu pai, para evitar o inevitável - pois um dia o panda acabaria mesmo - resolveu escrever esta história. De real a imaginável meu pai o fez durar para sempre para que eu não esqueça jamais meu urso panda, mochila de pelúcia".

Nenhum comentário: